Fundador

 

Luiz Antonio Castro de Jesus, mais conhecido como Toloji, é um baiano que tornou-se campineiro o ano passado. No dia 20 de junho de 1999, ao receber o título de cidadão campineiro em seção solene da Câmara dos Vereadores do Município de Campinas, Luiz concretizou um sonho: inaugurou o Instituto Cultural Babá Toloji, que leva seu nome de babalorixá. Um babalorixá é responsável pela casa de candomblé e no caso de Toloji ela é a "Comunidade da Tradição do Culto Afro Ilesin Ogun LaKayie Osinmole".

 

Toloji sempre teve dificuldade em adquirir peças utilizadas em rituais religiosos e diante de tais dificuldades começou a fabricá-las, esculpindo na madeira peças artísticas do culto religioso afro. Também manteve contatos com amigos e conhecidos oriundos de várias regiões da África (Senegal, Angola, Cabo Verde, Nigéria, Costa do Marfim, etc.) com intuito de encomendar as peças necessárias. Com esta atitude foi investido um valor relevante que hoje constituí-se no maior patrimônio do Instituto: o acervo.

 

Acervo

 

Muitas esculturas participaram de exposições em diversos espaços culturais. Então, Toloji percebeu que havia a necessidade das esculturas terem lugar apropriado para exposição e visitação do público, afinal são, aproximadamente, 1.500 peças.

 

Grande parte do acervo é formado por esculturas "primitivas" (primitivas num sentido de que elas não seguem as proporções dos objetos reais) cuja função, mais que apresentar uma imagem, é evidenciar a idéia, o espirito da divindade.

 

A idéia de se criar um espaço cultural, com exposição museológica, foi acompanhada da preocupação em promover a divulgação para o público, tornando o Instituto parte da rota cultural de Campinas e Região. A mensagem que deve chegar ao potencial público visitante é de que o acervo é rico em patrimônio histórico e cultural africano e influências afro na cultura brasileira. Dentro desta perspectiva foi fundado o Instituto Cultural Babá Toloji, que tem como mantenedora a Comunidade da Tradição do Culto Afro, citada anteriormente, a qual Toloji é responsável também.

 

Instituto

 

O Instituto tem como objetivo promover a preservação e divulgação de suas peças artísticas, compreendendo indumentárias, esculturas, pinturas, ornamentos, em grande parte fabricadas em marfim, bronze, madeira. Muitas destas provêem do continente Africano. O Instituto trabalha para promover e divulgação a cultura africana no Brasil, não apenas no aspecto religioso, pois o Instituto tem função cultural que vai muito mais além. Dentre as atividades, são realizados cursos enfatizando a cultura africana e aspectos históricos/culturais sobre o Brasil e países africanos, culinária, artes corporais, estética afro, música, artes plásticas, língua iorubá, bantú angola, entre outros aspectos.

 

Informações culturais

 

Por muito tempo houve a necessidade de utilização do sincretismo para fazer com que o culto afro sobrevivesse. Isso colaborou para confundir os não iniciados e o público em geral e distanciar os ritos religiosos de sua estética cultural originária da África. A partir disto o candomblé sofreu discriminações várias, dentre elas o senso comum equivocado dos leigos em associar a figura de Exú (divindade afro) à Satanás. O Instituto tem a preocupação de recuperar as origens históricas dos cultos e demais manifestações artísticas afro, usando-as como forma de desmistificação dos cultos e inserindo a riqueza artística das danças, esculturas, vestimentas como mais uma vertente da riqueza cultural brasileira, tal qual hoje os templos e artes sacras do catolicismo são apreciadas por todos.

 

O primeiro grande investimento realizado pelo Instituto Cultural aconteceu durante a Semana da Consciência Negra em Campinas no final de 1999. Em suas dependências desenvolveram-se diversas palestras e debates com pesquisadores acadêmicos, escritores, religiosos, etc. dentro de temas recorrentes às raízes culturais de origem africana.

 

O Instituto não é subsidiado por nenhuma fonte de recursos governamental  e para manter suas atividades culturais utiliza-se do marketing cultural, leis de incentivo à cultural e fomento de outras organizações. Para utilizar com eficácia tais linhas de recursos está em desenvolvimento vários projetos. Dentre as prioridades pode-se citar: pesquisa e organização do acervo, curso de formação de docentes em cultura afro, infraestrutura museológica, materiais e equipamentos de conservação, etc.